O Programa que foi ao ar ontem, na Radio Surf, nasceu a partir de duas melodias muito próximas, que chamaram a atenção: Coconut, de Benny Sings e a clássica The Beach Party, do álbum Coming On Strong, famoso trabalho do grupo inglês Hot Chip. Apesar da primeira se aproximar do gênero Downtempo e a segunda sendo considerada um Rock Eletrônico, ambas tem um vocal de timbre curiosamente muito parecido, além de batidas semelhantes.
A junção das duas me agradou muito e já há tempos rondavam em minhas idéias. Com The Beach Party, que é um pouco mais seca, surgiria a possibilidade de tocar sons “mais eletrônicos”, ou seja, com poucos (ou nenhum) elemento acústico — ao contrário do equilíbrio usual do Telefunken (mas não do BALADA!)— e ainda assim suaves o bastante para se ouvir no meio da tarde! Algo que queria muito fazer. De imediato, já foram selecionadas duas faixas do francês Alexkid: Don’t Hide It e Fleur Bleue. A primeira ainda conta com um vocal feminino maravilhoso, de Lissette Alea, enquanto a segunda prende-se a elementos exclusivamente eletrônicos, mas é divertida, levemente dançante e alto astral, assim como, E Depois…, do brasileiro Bid, com vocal de Seu Jorge. Tanto alto astral era necessário! Pois celebramos neste programa o recorde de audiência do Telefunken obtido no 33º programa e o lançamento do Telefunen Blog.
Depois de tanta alegria, acalmamos com Boozoo Bajou, UKO, Tosca e entramos na viagem de outro grupo inglês, também de Downtempo, o excêntrico Lemon Jelly. Tamanha é a intensidade das viagens proporcionada pelo som deles, que houveram pouquíssimas oportunidade de tocá-los — a não ser na edição especial Massive Attack on the Lemon Jelly at the Leftfield, no 15º Telefunken de 14/08/2007. Viagem esta que seguiu até o meio do segundo bloco, passando por Peace Orchestra, trabalho solo de Peter Kruder, o melhor de Thievery Corporation e Hi Fi Mike, do exótico álbum Ku De Ta 2, um presente trazido por Josil Mandacaru diretamente da Indonésia.
Finalmente, a última parte do programa misturou a trip criada até então com o peso do eletrônico “mais pesado”. Vieram então Heydoo e City Love, de Lukas Greenberg, e Outsiders, do israelense Lish. As duas primeiras são um Deep ou Tech-house bem tranqüilo, enquanto Outsiders alcança o ápice da viagem, pois trata-se de um som que, confesso, obrigou-me a desacelerá-lo em 2% antes de entrar na trilha. Para voltar à Terra, onde nem todos celebram conosco, fechamos com Beat Pharmacy em seu maravilhoso reggae eletrônico.
Lucas.